A NOSSA HISTÓRIA

ERA UMA VEZ EM MAFRA…

O nascimento do Pão Real não se pode dissociar da história e do contexto da própria região de Mafra, terra de moinhos de vento, de moleiros e, naturalmente, de bom pão.

A aventura do Pão Real começa, formalmente, em 1980, com a abertura da primeira padaria na aldeia do Carvalhal.

Mas a história em si começa há várias décadas, com Leonel Acúrcio e a mulher, Maria Gertrudes, também conhecida por “Quitas”.

Fotografia de Emídio Copeto e propriedade de Tapada Nacional de Mafra

O PÃO CASEIRO

Desde os doze anos que “Quitas” cozia pão. Numa altura de escassos recursos e de muitas bocas para alimentar, nesta região, tradicionalmente, existia em cada casa um forno de lenha.

Cozer pão em casa era atividade rotineira e necessária, e a jovem “Quitas” cedo aprendeu a amassar e a cozer. Primeiro porque era preciso alimentar uma casa com mais dez irmãos; e depois, porque o pão que cozia começou a ganhar fama na região.

Tratava-se de pão de trigo e centeio, feito com as farinhas que vinham dos pequenos moinhos de vento que encimavam os montes das aldeias saloias.

NA DÉCADA DE 1960

Foi um cunhado de Maria Gertrudes, dono de uma mercearia em Mem-Martins, que estreou o negócio da venda de pão na família, na década de 1960. Tratava-se então de uma atividade semi-clandestina, devido à proibição de venda de pão proveniente de fornos sem alvará sanitário e feito com farinha artesanal vinda dos moinhos.

Mas foi para este cunhado que “Quitas” começou a cozer pão em maior quantidade: o chamado pão caseiro, também conhecido fora do concelho de Mafra por “pão saloio” ou “pão de Mafra. Quem comprava o pão, lá para os lados de Sintra, gostava e perguntava onde era feito. Sendo o Carvalhal uma pequena aldeia desconhecida da maior parte, por afinidade começou a ganhar fama o nome Pão de Mafra.

UMA PADARIA COM SABER E SABOR

Alguns anos mais tarde, já o 25 de abril se tinha dado, “Quitas” e o marido, Leonel, decidiram entrar também na venda de pão.

Regressados de mais de uma década de vida em França com as duas filhas, aventuraram-se na criação de uma padaria. Começaram do zero. Mas tinham em casa todo o saber que era necessário: a habilidade e a experiência de “Quitas” nas artes de amassar e cozer o pão tradicional da região.

Por essa altura, Leonel Acúrcio sabe que tem nas mãos um produto vencedor. O pão era de qualidade, e as capacidades comerciais de Leonel levaram-no ainda mais longe.

Nas suas voltas para entregar pão ia pelas mercearias da região e oferecia o pão a provar a quem entrava. Assim foi, pelo paladar, cativando as pessoas e gerando mais encomendas.

DE GERAÇÃO EM GERAÇÃO

Tendo começado com apenas dois fornos a lenha, ao longo das últimas décadas a padaria foi sendo aumentada e modernizada para corresponder à crescente procura.

Hoje, a marca Pão Real conta com cerca de 60 trabalhadores, e continua a ser uma empresa familiar, agora feita de várias gerações. Começou com Leonel e “Quitas” e, mais tarde, a gestão passou para um dos genros.

Os netos também metem a mão na massa. Até os moleiros continuam a ser os mesmos desde há mais de três décadas, fornecendo as farinhas artesanais que caracterizam o Pão Real e garantem que o pão se mantém fiel às suas origens.

TRADIÇÃO E INOVAÇÃO

O sucesso do Pão Real passa, sem dúvida, pela qualidade das farinhas usadas, por conhecer e entender os ingredientes, e por respeitar os tempos da natureza, apurando a arte de fazer um pão equilibrado e pleno de sabor.

Os nossos fornos trabalham todos os dias, para lhe levar pão fresco diariamente. Valorizamos a tradição, a história e a cultura característica da região de Mafra, que está nas nossas origens.

E, sobretudo, valorizamos cada pão que sai dos nossos fornos até chegar a si.

OS FUNDADORES

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Leonel Teotónio Acúrcio
Fundador do Pão Real
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Maria Gertrudes Ferreira
fundadora do Pão Real
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Maria Helena Acúrcio
colaboradora da padaria e irmã do fundador

A VOZ DE QUEM FAZ O PÃO

«Nós, para termos amor às coisas, temos de as fazer. Dá-me prazer trabalhar na padaria. Comecei isto como uma coisa pequena e sei que, graças ao trabalho de todos, a empresa tem crescido. Assim dá gosto trabalhar. E se pudermos viver da forma como nós gostamos, isso é a melhor coisa do mundo.»

Leonel Teotónio Acúrcio

«Foi a minha avó quem me ensinou a cozer. Aos 12 anos já cozia sozinha. Mas com oito ou nove anos já ajudava a amassar. Quando o meu cunhado abriu um comércio em Mem-Martins é que comecei a cozer para vender. Nessa altura já era pão de cabeça que eu fazia, e cada forno levava 12 pães. Sempre me lembro de fazer o pão com essa forma, mesmo em casa dos meus avós. O pão era do Carvalhal, mas começou a ser conhecido como Pão de Mafra.»

Maria Gertrudes Ferreira

«Aos 15 anos eu já amassava pão, à mão. E comecei a fazer pão para vender há 40 anos. Ainda toda a gente no Carvalhal se lembra do pão da Ti Lena. Os ingredientes são sempre os mesmos, água, sal, fermento e farinha. Mas depois há pessoas que têm um certo jeito, sabem explorar mais a massa, tornar o pão mais apetitoso. O nosso pão aqui é mais adocicado e não leva tanto sal.»

Maria Helena Acúrcio